Tendo tido uma educação bem direcionada — considerando que ela estudou com mestres supremos como Luiz Eça e Guerra Peixe —, Delia iniciou sua carreira em meados dos anos 80 com o seu Duo Fênix, juntamente com Cláudio Dauelsberg, gravando nessa fase os discos ”Duo Fenix” e “Karai-Ete”. No exterior, atuou nos clubes New Morning, em Paris (França), e Brottfabrik, em Sttutgard (Alemanha), além de ter participado dos festivais de jazz de Montreux (Suíça) e de Sofia. Após essa fase com o duo, já no início dos anos 90, a pianista passou a realizar diversos workshops no Brasil e acompanhou grandes músicos e cantores como Toninho Horta, Ed Motta, Robertinho Silva, Pascoal Meirelles, Dom Um Romão, Nivaldo Ornelas, Marcos Ariel, Nico Assumpção, Baby do Brasil e Jane Duboc, entre outros. Inclusive, por seu talento e acesso à rede de músicos influentes, ela participou de eventos como ”Tributo a Elis Regina”, em 1997, e “Brasil 500 anos”, em 1998, realizados pela Rede Globo. Em 1999, gravou o CD “Antonio”, lançado nos mercados norte-americano e europeu pela gravadora Carmo-ECM, de Egberto Gismonti.
Presente, seu primeiro álbuns de canções é algo sem igual na música instrumental brasileira contemporânea — isso porque os arranjos imprimem uma quantidade riquíssima de requinte e elaboração! A segunda faixa, “Das Plantas”, traz um rítmo de samba em um arranjo a La Hermeto Pascoal, em compasso ímpar, com a psicodelia tênue de um piano Rhodes, sutis efeitos eletrônicos, sons de bricolage e o próprio Hermeto usando a voz borbulhante em cópo d’agua e a escaleta pra temperar o molho. A terceira faixa, ”Aluvião”, expressa um lirismo lindamente nordestino, tendo como ponto alto o casamento entre a sonoridade do violino de Pedro Mibielli e do violão de Ricardo Silveira. A quarta faixa, “Nascimento de Vênus”, é uma bela balada lenta com um instrumental de piano-trio e arranjo de cordas, tendo a participação da cantora escandinava Lisa Nilsson cantando em sua língua nativa, sueco. A sétima faixa, “Mercado”, é o ponto alto e expressa ainda mais veemente o leque contemporâneo de sonoridades que Delia quis imprimir: um groove de pegada bossanovina liderado pela bateria de Márcio Bahia, o já citado piano rodes, violino, vozes em efeitos radiofônicos (para passar a atmosfera da “feira” citada na letra), scratches em toca discos e uma pegada mais na levada do pagode nordestino no refrão — é uma canção de letra politizada, de uma poética figurada em torno dos varios sentidos de feiras humanas, “da…feira que vende sexo, que vende a torto e a direto, que vende todo o respeito, que vende a alma”. A oitava faixa é um rápido interlúdio totalmente instrumental, sem canto vocal: Délia no piano acústico e Márcio Bahia na bateria quebrando tudo. Por fim, a faixa-título “Presente” encerra com chave de ouro com a participação de ninguem menos que Egberto Gismonti: a canção traz o uso intimista do canto vocal, piano acústico e um violão de 12 cordas em sonoridade bem “folk”, deixando parecer que Gismonti trouxe uma pitada da sonoridade que trabalhou com grande sucesso em suas gravações para a ultra-moderna gravadora ECM.
Saiba mais aqui: http://farofamoderna.blogspot.com.br/2010/09/o-presente-de-delia-fischer-mpb.html
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